Filipinho Imbatível em J-Bay

July 25, 2017

Filipe Toledo supera Frederico Morais e entra para a história como o primeiro brasileiro a vencer uma etapa da elite mundial em Jeffreys Bay, África do Sul.

Filipe Toledo faz a festa no Corona Open J-Bay. Foto: © WSL / Cestari.

 

Com uma campanha sensacional, arrancando duas notas 10 e muitas outras notas excelentes durante a competição, o brasileiro Filipe Toledo venceu o Corona Open J-Bay, sexta etapa do Championship Tour 2017.

Na final, Filipinho superou o português Frederico Morais, tornando-se o primeiro brasileiro na história a vencer uma etapa da elite mundial nas lendárias ondas de Jeffreys Bay, África do Sul. 

Até então, a única vitória de um brazuca no pico havia sido em 2012, quando Adriano de Souza faturou uma etapa válida pelo Qualifying Series, divisão de acesso do Circuito Mundial.

Já o melhor resultado em provas válidas pela elite era o vice-campeonato de Peterson Rosa, em 2000, quando o paranaense foi superado pelo australiano Jake Paterson na final.

Pelo título em J-Bay, Filipinho embolsa US$ 100 mil e soma 10.000 pontos no ranking, assumindo agora a sétima colocação, mesmo sem ter disputado a prova anterior, em Fiji, devido a uma suspensão por indisciplina em Saquarema.

 

Foi a quarta vitória do ubatubense em eventos do Championship Tour, igualando-se a Fabio Gouveia e atrás de Adriano de Souza e Gabriel Medina, empatados na primeira posição com 7 vitórias cada.
 

Desde 2015, quando venceu três provas (Gold Coast, Rio de Janeiro e Peniche), Filipinho não sentia o sabor de faturar uma etapa do Tour.


"Eu nem posso acreditar nisso. Sempre sonhei em ganhar esse campeonato aqui em J-Bay, surfando ondas perfeitas assim", disse Filipe Toledo, que competiu na África do Sul com o cabelo pintado de verde. "Eu só tenho que agradecer a Deus pela incrível semana que tivemos aqui. Toda a minha família está aqui me apoiando e tudo isso é inacreditável, não sei nem o que dizer. Acho que vou deixar meu cabelo assim no restante do ano (risos)".

"Foi uma semana maravilhosa", continuou o campeão. "Este, definitivamente, será o evento que lembrarei por quarenta ou cinquenta anos. Não porque eu ganhei, mas por causa do nível do surfe e das altas ondas que rolaram durante todos os dias. Em J-Bay, com ondas incríveis e esse nível de surfe, foi perfeito. Agradeço a toda a minha equipe que me ajudou e à minha filha e esposa, que estiveram aqui a semana toda me apoiando".

Em ritmo eletrizante, ele foi vencendo todas as baterias que disputou desde a repescagem, sempre levantando a plateia sul-africana.

Na manhã desta quinta-feira, depois de desbancar o sul-africano Jordy Smith e o australiano Julian Wilson, Filipinho partiu com tudo em busca do título e travou uma batalha eletrizante com Frederico Morais, que vinha embalado pelas vitórias contra John John Florence nas quartas de Gabriel Medina na semifinal.

 

Frederico Morais fica com o vice. Foto: WSL / Pierre Tostee.

 
O duelo começou monótono, até Filipe destruir uma onda da série, com direito um floater insano, e arrancar 9.17 dos juízes.

Minutos depois, Frederico achou um belo tubo e diminuiu a diferença com 8.33, mas cometeu um erro, pois abandonou o cilindro antes do momento adequado e deixou de buscar uma pontuação maior. 

Filipe rapidamente deu o troco e triturou uma onda com fortes snaps, passando por dentro de uma seção e finalizando com um floater na turbulenta junção. Com a nota 8.33, o brasileiro deixou o adversário a 9.17 da virada.

O tempo foi passando e a chuva entrou em cena em J-Bay. Faltando cerca de 15 minutos para o término, Frederico encontrou uma ótima onda e não vacilou, espancando a direita do início ao fim para obter 9.40. 

Logo atrás, Filipinho respondeu forte, com 8.83, e impediu que o português virasse a bateria. Filipe ainda recuperou a prioridade e a tensão tomou conta do outside, com Frederico buscando 8.60 para reverter a situação.

Mas, para a alegria da torcida brasileira, a situação não mudou. Filipinho ainda tentou trocar sua segunda melhor nota, mas os 7.60 pontos não entraram no somatório. Frederico por sua vez, não encontrou nenhuma onda com potencial e terminou em segundo lugar.

Apesar da derrota, o português comemorou o excelente resultado e entrou para a história como o primeiro português a disputar uma final no Championship Tour. "Eu simplesmente amo esse lugar, é incrível", disse Frederico Morais. "As ondas são surpreendentes, o clima é parecido com o de casa e a vibração que você sente aqui é uma loucura. Estou muito feliz por ter surfado contra caras como o John John (Florence), o Mick (Fanning), o Adriano (de Souza), o Gabriel (Medina), o Filipe (Toledo). Eles são os melhores, campeões mundiais, então se você quiser vencê-los, precisa estar preparado para tudo. Mais feliz ainda por ser o primeiro surfista de Portugal a fazer uma final no World Tour. Então só tenho que agradecer, obrigado a todos que me apoiaram e que torcem por mim".

 

Gabriel Medina descola o terceiro lugar. Foto: © WSL / Cestari.

 
Além de Filipe, outro brasileiro que brilhou em J-Bay foi Gabriel Medina, terceiro colocado na prova. Depois de travar uma grande batalha pela primeira onda com Frederico Morais, o campeão mundial de 2014 viu o oponente sair na frente com notas 8.10 e 9.27.

O brasileiro investiu em algumas ondas pesadas, mas sem tanta qualidade nas primeiras seções, e fez 6.93 depois de passar por um tubo e acertar muito bem o lip depois da saída. 

Depois de um longo tempo sem muita ação no outside, Medina resolveu apostar numa onda intermediária e detonou, somando 7.77 para sair da “combinação” e passar a buscar 9.60. 

Logo atrás, Frederico tentou ampliar a vantagem novamente com bons ataques ao lip, mas não conseguiu conectar as seções e descartou 5.50.

O tempo foi passando e o português passou a administrar a prioridade. Medina tentou fugir do adversário e investiu numa onda pequena nos instantes finais, mas ela não ofereceu tanto potencial e o brasileiro ainda caiu.

Foi a terceira vez que eles se enfrentaram na elite mundial e o português permanece invicto. Frederico já havia superado o brasileiro em Peniche, Portugal, no ano passado - em duelo válido primeira fase - e eliminou Medina este ano, na round 3 da etapa em Bells Beach, Austrália.

 

Filipe Toledo é o primeiro brasileiro a vencer uma etapa da elite mundial em J-Bay. Foto: © WSL / Cestari.

 
Na outra semifinal, Filipe Toledo teve paciência para esperar pelas ondas e manteve o ritmo eletrizante nos ataques ao lip, disparando na liderança com 8.17 e 8.30.

Não satisfeito, o brasileiro conseguiu sua melhor nota (8.33) e ampliou ainda mais a vantagem.

Faltando pouco mais de três minutos para o término, Filipe voltou a aprontar e detonou outra direita, passando por dentro de duas seções no inside, mas a nota 8.23 não entrou em seu somatório.

Precisando de uma combinação de notas no total de 16.64 pontos, Julian não conseguiu reagir e deu adeus ao evento.

O próximo desafio dos melhores surfistas do mundo será o Billabong Pro Tahiti, nas temidas ondas de Teahupoo, nos dias 11 a 22 de agosto, na Polinésia Francesa. Matt Wilkinson vai competir novamente com a lycra amarela, mas a briga pela ponta será fase a fase com John John Florence e Jordy Smith. 

E mais cinco surfistas também têm chances matemáticas de superar os 31.950 pontos do australiano, inclusive Filipe Toledo, depois da vitória no Corona Open J-Bay. Os outros são Owen Wright (4º no ranking), Adriano de Souza (5º), Joel Parkinson (6º) e Julian Wilson (8º).

 



Resultado do Corona Open J-Bay 2017

1 Filipe Toledo (BRA)

2 Frederico Morais (POR)

3 Gabriel Medina (BRA)

3 Julian Wilson (AUS)

5 Jordy Smith (AFR)

5 John John Florence (HAV)

5 Mick Fanning (AUS)

5 Matt Wilkinson (AUS)

Ranking atualizado do Championship Tour 2017

1 Matt Wilkinson (AUS) 31.950
2 John John Florence (HAV) 31.700
3 Jordy Smith (AFR) 31.350
4 Owen Wright (AUS) 30.150
5 Adriano de Souza (BRA) 27.900
6 Joel Parkinson (AUS) 24.400
7 Filipe Toledo (BRA) 23.950
8 Julian Wilson (AUS) 23.200
9 Gabriel Medina (BRA) 21.000
10 Connor O’Leary (AUS) 20.200
11 Mick Canning (AUS) 19.600
12 Frederico Morais (POR) 18.950
13 Michel Bourez (PLF) 18.450
14 Kolohe Andino (EUA) 16.500
15 Sebastian Zietz (HAV) 16.000
16 Caio Ibelli (BRA) 15.000
17 Conner Coffin (EUA) 13.500
18 Adrian Buchan (AUS) 13.000
19 Jeremy Flores (FRA) 12.750
20 Kelly Slater (EUA) 12.700
20 Bede Durbidge (AUS) 12.700
22 Italo Ferreira (BRA) 12.450*
22 Joan Duru (FRA) 12.450

Próximos brasileiros

25 Wiggolly Dantas (BRA) 11.250
26 Ian Gouveia (BRA) 10.250
31 Yago Dora (BRA) 7.000**
32 Miguel Pupo (BRA) 6.750
32 Jadson André (BRA) 6.750

* Devido a uma contusão, Italo não competiu em 3 das 6 etapas
** Yago Dora disputou apenas duas etapas como wildcard

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