Leitura de Previsões e a Importância do Boletim

October 2, 2015

Praia da Galheta em um dia de Vento Sul

 

Para saber como irão ser as condições em determinada praia, primeiramente, devemos conhecer a mesma. Muitas vezes apenas ter uma boa ondulação e vento propício não são o necessário para quebrarem boas ondas.

           

            Um bom exemplo dentro da região sul catarinense é a Praia do Cardoso que segura grandes ondulações propiciando um surf em dias de mar grande. (Confira a matéria que traz também esse assunto). Ou seja, sabemos que essa praia tem condições de surf mesmo com uma previsão de ondas grandes.

 

            Importante também é saber como está a condição da bancada, um outro exemplo é a Praia do Ypuã que a pouco tempo estava com o fundo bem desajeitado, e em vários boletins do Site Guru das Ondas foi colocado essa informação.

 

            Assim, vale ressaltar que um boletim é a única forma de descobrir como realmente está as condições. Pois mesmo com previsões a favor, só se pode ter certeza com a visualização da condição no momento.

 

 

Altura significativa das ondas

 

Ondas atrás do costão da Praia da Galheta durante um dia de grande ondulação e forte vento sul.

 

Quem acompanha previsões, com certeza, já se deparou que nas previsões muitas vezes indica um tamanho e chegando na praia está outro. A explicação se dá ao fato de a “maioria” das previsões apresentarem dados das boias, a chamada altura significativa.

 

            A altura significativa é média das três maiores ondas que ultrapassaram a boia. Devido a deformidades na costa e outros fatores, as ondas que ultrapassam a boia com uma altura perdem pressão durantes seu trajeto até a arrebentação, quebrando menores na sua chegada as praias.

           

            Assim então, para ter uma certeza da altura das ondas é necessário conhecer bem a praia e ter uma boa experiência na leitura das previsões.

 

 

Direção do swell

 

 

Posição geográfica das praias do Farol de Santa Marta

 

A direção do swell é um dos fatores mais importantes para determinar qual praia escolher receberá melhores ondas. No Cabo de Santa Marta isso é algo muito visível devido as praias estarem viradas para lados opostos.

 

            Um bom exemplo é o da Praia do Cardoso em relação a Prainha do Farol, a Praia do Cardoso funciona muito bem com ondulações do Quadrante Sul enquanto a Prainha não recebe ondas dessa direção devido a estar protegida pelo costão. Por outro lado a Prainha recebe muito bem as raras ondulações de Nordeste e algumas de Leste proporcionando boas ondas quando o vento também colabora.

 

            Consultando as previsões, verificando qual a direção das ondulações presentes é possível saber qual praia receberá melhor as ondas. Assim, muitas vezes poupando o “check” em algumas praias.

 

 

Direção e Intensidade do Vento

 

Forte vento sul na Praia da Galheta.

 

Outro fator bem marcante na região sul catarinense que devemos sempre estar informados e alienados é o vento. Muitas ocasiões temos fortes ventos que acabam prejudicando as condições para a prática de alguns esportes marítimos.

 

            Previsões de vento talvez sejam as mais questionadas, e com toda certeza é um dos grandes fatores que influenciam nas ondas da região. O cabo de Santa Marta devido a estar localizado mais a leste recebe grande influência dos ventos, que por muitas vezes está mais intenso nesse local do que em outra região um pouco afastada. Um bom exemplo é a diferença de intensidade do vento entre as praias do Cabo de Santa marta e as praias de mar aberto mais ao sul do estado.

 

Imagem expondo a localização do Cabo de Santa Marta e a diferença da intensidade do vento.

 

É importante ter em mente que as vezes mesmo a direção do vento ser ideal pelos gráficos devemos levar em conta que um vento terral forte também prejudica as condições das ondas, as deixando “picadas”, e também muitos praticantes não se sentem confortáveis com os fortes ventos.

 

            Mas muitas vezes as previsões são de vento forte e no momento o vento está fraco, ou até mesmo o contrário. Nisso se justifica a importância de um boletim para a checagem das ondas e condições do vento.

 

 

Período de pico de uma ondulação

 

 

Ondas chegando na Praia do Santa Marta

 

Um dos fatores mais importantes em uma previsão é o período, porém, muitas vezes passa batido na hora de analisar os gráficos. O período assim como a altura significativa são dados coletados pela boia. Período de pico nada mais é do que o tempo entre uma onda e outra, também chamado por muitos de “vaga”.

           

            O período muitas vezes acaba justificando o caso de uma ondulação grande não chegar até a arrebentação. Ondulações com períodos baixos (de 4 a 7 segundos) perdem muita força até chegar na costa devido a serem ondulações com muito vento ou sendo formadas muito próximo a costa, assim, resultam em condições ruins de surf.

 

            Geralmente, as condições começam a favorecer em ondulações acima de 8 segundos, que são ondas um pouco mais alinhadas, mas também deve se observar outros fatores para saber se terá uma condição favorável. Ondulações com período acima de 12 segundos são ondulações que viajam mais até chegar a zona de arrebentação e acabam chegando bem alinhadas e se os outros fatores estiverem a favor geralmente são condições “clássicas”.


*CURIOSIDADE: Para entender melhor como funciona uma ondulação, jogue uma pedra em um algo com água suficiente para se criar pequenas ondinhas, e observe que onde caiu a pedra as ondinhas são mais próximas e quanto mais distante de onde a pedra entrou em contato com a água as ondinhas têm uma distância maior entre cada uma. Assim também ocorre no Mar, quanto mais próximo da costa estiver a tempestade que está formando o swell menor vai ser a distância entre as ondas e mais prejudicadas elas serão.

 

Mas qual o motivo de muitas vezes o mar mudar rapidamente?

 

            Geralmente na região sul catarinense as condições não se mantém o dia todo por igual, muitas vezes o mar amanhece ruim e ao longo do dia melhora, ou o contrário. Esse motivo se dá aos fatos de geralmente a ondulação perder força muito rápido em nossa região, devido ao período da ondulação, se justifica também o caso da ondulação as vezes estar de passagem e mudar a direção, ou até mesmo pela variação da maré.

 

            Concluímos então, que mesmo pessoas com anos de experiência em leituras de gráficos e observação do mar não conseguem prever a condição no dia seguinte. As únicas formas de ter a certeza das condições é através da visualização, ou seja, uma boa forma de saber das condições reais são os boletins.

 

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