Hurley Pro Trestles: Mick Fanning Bate Adriano De Souza

September 20, 2015

Fanning tinha o caminho para o triunfo bem programado. Foi o segundo da temporada. Foto: WSL

 

 

O Hurley Pro Trestles parecia destinado a ser vencido pelo surf progressivo de língua portuguesa. Mas pelo meio surgiu alguém com a experiência e a tática necessária para encontrar um antídoto contra a tempestade brasileira. Eugene foi a máquina de competição que bem conhecemos, soube trilhar o caminho certo, com um surf mecânico e eficaz, sem falhas nem deslizes. Dessa forma alcançou uma vitória pouco esperada, mas muito justa na etapa californiana. Mas mais importante que isso, assumiu a liderança do ranking mundial.

 

Na final o australiano teve de enfrentar outra máquina de guerra como ele. Talvez os únicos dois tipos sobre os quais catedráticos pensam duas vezes antes de afirmarem que os surfistas não são atletas. Uma final que foi um verdadeiro "tie-break". Adriano de Souza e Fanning. Número um e número dois em despique direto. Um duelo que prometia e que quase incendiou o lineup. Contudo, Fanno tem mais anos de batalha e usou a sua experiência para ganhar esta guerra. Desta vez, não havia tubarão que valesse ao brasileiro, nem sequer um colapso geral da concorrência. A amarela tem mesmo um novo dono. E é Fanning quem vem com ela para a perna europeia.

 

(Parecia) Tudo conjugado

 

Quando a ação começou a aparência do mar não era a melhor. Numa das primeiras ondas surfadas do dia vimos Filipe Toledo quase a surfar no flat. Não eram as condições que se esperavam para um dia final em grande. Mas era o palco ideal para o jovem talento brasileiro levar mesmo a melhor, num evento que parecia ter o seu nome escrito já na taça. O mar não permitiu grande espetáculo durante os quartas-de-final, sendo que os candidatos ao título cumpriram as suas obrigações e avançaram com relativa facilidade.

 

O surf progressivo de Toledo não encontrou oposição no power de Joel Parkinson, uma vez que o australiano também não teve matéria-prima para o aplicar. Adriano continuou no seu registo eficaz e pouco espalhafatoso para eliminar o rookie e compatriota Wiggolly Dantas. Estava assim encontrado um grande duelo para a primeira meia-final. Nas outras bateria, Fanning começou a aquecer os motores com um triunfo robusto frente à Ace Buchan. Já Gabriel Medina levou a melhor num bateria de goofys frente a Nat Young. O campeão mundial ganhou a bateria praticamente no primeiro minuto, depois de uma remada muito disputada que acabou com uma interferência do californiano - polémica? A partir daí Medina nem precisou de se aplicar muito para garantir a qualificação.

 

As meias-finais começaram logo de seguida, ficando as mulheres em espera para entrarem na água depois. Numa bateria explosiva, com dois surfistas que lutam por ser o próximo brasileiro a sagrar-se campeão, Toledo começou ao ataque com o seu poderoso jogo aéreo. Contudo, Adriano foi mais inteligente a escolher as ondas, conseguindo encaixar mais manobras nas paredes de Trestles. Mineiro saiu na frente e só viu o real talento de Filipinho em ação já a meio da bateria. A disputa continuou intensa até aos segundos finais, altura em que o mais jovem teve oportunidade para virar a bateria. O suspense instalou-se. Poderia haver uma reviravolta espetacular, mas acabou por ser Adriano a vencer por 19 centésimos, naquela que foi a sua primeira grande exibição – digna de candidato – ao longo de todo o evento. E logo para terminar com as aspirações do mais que provável vencedor.

 

Na bateria seguinte tínhamos os dois últimos campeões mundiais em disputa. Medina sabia que se vencesse iria entrar na luta pelo título, mesmo depois do péssimo arranque de temporada. Fanning não queria deixar escapar Adriano no ranking, desejando até superá-lo. A bateria começou equilibrada, mas com o andar do tempo, a eficácia de Fanno veio à tona, com o aussie a somar duas notas acima de 9 pontos. Medina também teve uma boa ponta final, mas nem a facilidade com que voou lhe permitiu virar a bateria. Com 18,17 pontos, contra 17,54 do brasileiro, Mick conseguia o passaporte para a final e teria a possibilidade de vingar a oportunidade que lhe foi tirada por um "intruso" em J-Bay.

 

Dentro e fora de água

 

A final tinha todos os condimentos para ter muita emoção. Primeiro disputou-se a final feminina e só no fim de todo o programa lá tivemos direito a "fogo-de-artifício". Fanning começou ao ataque e aos poucos foi melhorando a sua performance, repetindo a receita com que despachou Medina. Em algumas pessoas o avançar do tempo causa efeitos drásticos, provocando o envelhecimento. Mas em Fanning a única coisa que se nota é o aumentar da sua inteligência dentro de água. São 34 anos de muita experiência de combate.

 

Uma disputa que acontecia também fora de água. A bateria decisiva começou com um ritmo infernal e a cada onda ouvia-se o público em delírio. Os brasileiros gritavam em uníssono por Adriano. Já por Fanning julgamos que fossem os australianos... e os outros todos. Um cenário que demonstra bem o clima vivido no seio do Tour após a invasão brasileira, que este ano está a ter ainda mais expressão. Fanning parecia embalado pelos gritos e rapidamente alcançou o ponto alto da final, com uma onda de 9,77 pontos. Duas mãos cheias de manobras, com muita variação pelo meio e batidas encaixadas no sítio certo.

 

Mineiro estava em combinação e a final parecia decidida ainda estava a meio. Fanning não brinca em serviço e parece um computador programado para o objetivo final. Mas do outro lado também havia um guerreiro. Daqueles que não baixam os braços por nada. O brasileiro tanto tentou que a cerca de 5 minutos do final conseguiu responder à letra, com um 9,07. Ficava agora a precisar de 8,38 pontos para operar uma reviravolta que seria sensacional e histórica. Remou com força para o outside e sentia-se do lado de fora a tensão a crescer. Adrenalina não faltou...

 

No entanto, a história dos últimos cinco minutos resume-se àquilo que dominou este dia final em Trestles: a experiência de Mick Fanning. Com a prioridade na sua posse, só a melhor onda do dia faria o australiano arrancar nela. A tática predominou enquanto o tempo do cronómetro se ia esgotando. Adriano fez o que podia e ainda antes de a buzina tocar teve de se render e abraçar o adversário. Um abraço entre os dois surfistas que se afiguram como os principais candidatos ao título. Mineiro ficou a 1 ponto dos 17,44 de Fanning, sendo que isso representa agora um atraso de 1.750 pontos para a liderança.

 

Eugene ganhou o segundo evento da temporada – mais um que Adriano – e tem ainda a vantagem de não ter nenhum 13.º lugar a contar, como no caso do rival. A sua regularidade é um trunfo que pode ser determinante na luta pelo título. Faltam três eventos, sendo que nos dois próximos (França e Portugal) o australiano conhece como poucos o antídoto para o sucesso. Filipe Toledo e Owen Wright podem ter ainda uma palavra a dizer sobre este assunto, mas terão de fazer uma forte perna europeia. Para estes a regularidade já conta pouco. Não devemos afastar Julian Wilson, Kelly Slater e até mesmo Medina – está a 14.050 pontos do número um - destas contas. Mas aqui já se trata de uma questão de necessidade de vencer. Agora o Tour segue para França e esta lista pode chegar já bem reduzida a Portugal. A entusiasmante temporada 2015 prossegue dentro de semanas... Aqui bem perto!

 

Carissa escapa

 

Já era certo que Carissa Moore seria a nova líder do ranking mundial, depois da eliminação de Courtney Conlogue nos quartos-de-final. Mas a havaiana não se contentou apenas em vir para Portugal de amarelo, alargando a vantagem para a concorrência direta com o triunfo em Trestles – o terceiro da temporada, depois de ter passeado nas duas primeiras etapas. A havaiana recuperou o lugar que foi seu no arranque da temporada e que, caso seja regular no que falta da época, poderá ser o seu também no final.

 

Carissa começou por bater a australiana Dimity Stoyle numa meia-final sem muita história. A havaiana precisou apenas de 14,27 pontos para vencer a bateria confortavelmente, sendo que Stoyle nunca chegou a entrar verdadeiramente na disputa. Dessa forma, a bicampeã mundial marcava encontro com Bianca Buitendag, que havia vencido uma verdadeira batalha frente à local Lakey Peterson - 4.ª e 5.ª do ranking, respetivamente. A norte-americana conseguiu a melhor onda d a bateria, mas a regularidade da sul-africana valeu-lhe o triunfo por apenas 34 centésimos.

 

Bianca garantia a final e uma aproximação real à luta pelo título com o aproximar das últimas três etapas do ano. Contudo, ficou mais longe do 1.º posto, uma vez que não conseguiu contrariar o favortismo de Moore no heat decisivo - isto já depois de Lisa Andersen ter levado a melhor sobre Sofia Mulanovich nas Heritage Series, que deu para matar saudades da super estrela norte-americana. A havaiana levou a melhor na primeira disputa de ondas, mas por muito pouco. Depois a sul-africana teve paciência para guardar a prioridade e esperar por um set... que nunca veio. Pelo meio foi Carissa quem carimbou o triunfo com a melhor onda do heat: 8,37.

 

Até final, Carissa Moore teve apenas de controlar, proporcionando ainda um grande momento ao quase completar um frontside air reverse. Bianca continuou a sua espera, mas a onda para virar a bateria nunca surgiu e acabaria mesmo por perder o duelo. Carissa somou 16,37 pontos, contra 13,84 da adversária e confirmou o seu passeio no "park" de Trestles. A nova número um mundial vem agora para o Cascais Women's Pro com 4.400 pontos de vantagem sobre a vice-líder Courtney Conlogue e, caso consiga um bom resultado em Portugal, poderá ficar mais próximo do tricampeonato mundial. A luta está ao rubro!

 

Hurley Pro Final Results:

1: Mick Fanning (AUS) 17.44

2: Adriano de Souza (BRA) 16.44

Hurley Pro Semifinal Results:

QF 1: Adriano de Souza (BRA) 15.46 def. Filipe Toledo (BRA) 15.27

QF 2: Mick Fanning (AUS) 18.17 def. Gabriel Medina (BRA) 17.54

 

Hurley Pro Quarterfinal Results:

QF 1: Filipe Toledo (BRA) 16.66 def. Joel Parkinson (AUS) 8.90

QF 2: Adriano de Souza (BRA) 12.67 def. Wiggolly Dantas (BRA) 8.83

QF 3: Mick Fanning (AUS) 15.13 def. Adrian Buchan (AUS) 7.50

QF 4: Gabriel Medina (BRA) 11.34 def. Nat Young (USA) 9.44

 

Swatch Women’s Pro Final Results:

1: Carissa Moore (HAW) 16.37

2: Bianca Buitendag (ZAF) 13.84

 

Swatch Women’s Pro Semifinal Results:

SF 1: Bianca Buitendag (ZAF) 13.27 def. Lakey Peterson (USA) 12.93

SF 2: Carissa Moore (HAW) vs. Dimity Stoyle (AUS)

 

Women’s Heritage Series Heat:

1: Lisa Andersen 14.70

2: Sofia Mulanovich 12.60

 

2015 Men’s WSL Jeep Leaderboard Top 5 (after Hurley Pro):

1: Mick Fanning (AUS) 44,700 pts

2: Adriano de Souza (BRA) 42,950 pts

3: Filipe Toledo (BRA) 38,400 pts

4: Owen Wright (AUS) 38,400 pts

5: Julian Wilson (AUS) 34,950 pts

 

2015 Women’s WSL Jeep Leaderboard Top 5 (after Swatch Women’s Pro):

1: Carissa Moore (HAW) 53,000 pts

2: Courtney Conlogue (USA) 48,600 pts

3: Sally Fitzgibbons (AUS) 42,800 pts

4: Bianca Buitendag (ZAF) 40,750 pts

5: Lakey Peterson (USA) 39,000 ptsa

 

 

 

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